A caçada policial expressa uma atuação diferenciada da Polícia em que o efetivo e os recursos mobilizados são maiores que o de outras intervenções cotidianas. A caça exige maior dispêndio de tempo e mais riscos a quem está envolvido nela. A narrativa oficial e midiática em torno da caça também é um aspecto importante. A busca por um bandido sanguinário inflama a imaginação coletiva e alimenta o populismo político em torno da segurança pública. Não à toa, a perseguição a Lázaro mobilizou parlamentares, governadores e até mesmo o presidente da República, que comemorou um feito com a macabra expressão “CPF cancelado”.
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Os riscos de uma política Frankenstein na segurança pública: o caso Proteger
As cobranças sobre o papel de cada programa governamental demonstram uma certa indefinição na condução da política de segurança no Estado. É preciso que os parlamentares debatam esse projeto de lei com atenção na AL. O conceito de um “Ceará Pacífico” não pode suprimir as especificidades e a autonomia dos programas já existentes. Sem integração e articulação, as peças não se encaixam e o que poderia ser um exemplo de governança eficiente pode se transformar em uma política pública do tipo Frankenstein: remendada, confusa e que em algum momento se voltará contra seu criador.
Projeto que legaliza o Proteger é enviado à Assembleia Legislativa do Ceará
Deu entrada hoje, dia 23, na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (ALCE), o Projeto de Lei que prevê a formalização do Programa Estadual de Proteção Territorial e Gestão de Riscos (Proteger). O objetivo é transformar o programa criado em 2018 pelo então secretário da Segurança Pública, André Costa, em uma “política pública estruturante e estratégica destinada à efetivação do direito constitucional à segurança pública no Estado do Ceará”. Conforme levantamento recente publicado no site da SSPDS, Fortaleza e Região Metropolitana da Capital contam com 31 bases territoriais do Proteger.
Motoristas de aplicativo do Ceará contam com novos recursos de segurança
O aplicativo 99 lançou, no mês passado, novos recursos de segurança para motoristas parceiros. Um dos destaques é a ferramenta “Validação de Acesso”, que utiliza uma solução de prevenção de fraude para verificar se os usuários são realmente os donos dos CPFs informados por meio de um questionário. A empresa criou ainda um novo modelo de mapeamento de áreas de risco que permite aos condutores colaborar com a identificação dessas regiões. No Ceará, o índice de violências totais contra motoristas é de 70% do total de ocorrências de segurança verificadas pelo aplicativo. Se forem somados apenas os casos graves, esse percentual chega a 92%.
Como a segurança foi terceirizada no Governo Bolsonaro
Quando se trata de uma decisão política, de um projeto de poder, o abandono do SUSP se explica perfeitamente bem, haja vista que a ideia de um “sistema único de segurança pública” soa destoante de um cenário no qual as elites estão se armando de forma indiscriminada e na qual os freios às ações violentas dos agentes públicos são quase inexistentes, dada a ausência de qualquer reprimenda estatal, nem sequer ao menos um lamento, sobre as vidas ceifadas durante as operações policiais. Na lógica de guerra, são apenas danos colaterais. Ao contrário dos esforços privatizantes de Paulo Guedes na Economia, a segurança no Brasil obteve mais êxito em seu processo de privatização.
Blog lança boletim de análises sobre dados da segurança pública no Ceará
Compreender as dinâmicas da violência e da criminalidade de um Estado por meio dos dados oficiais nem sempre é uma tarefa fácil. Pensando nisso e na possibilidade de ampliar o debate sobre a segurança pública para um maior número de pessoas, o Blog Escrivaninha lança o primeiro número de seu Boletim “Cenários da (In)Segurança Pública” com uma análise aprofundada e, ao mesmo tempo, didática, sobre as ocorrências criminais no Estado do Ceará. Para tanto, contamos com o apoio de Marília Monteiro do Santos, bacharela em ciências econômicas, graduanda em ciências sociais e mestranda em Sociologia além de uma estudiosa de questões como segurança pública, gênero e juventude. Confira o texto de introdução do Boletim. A publicação pode ser acessada e baixada gratuitamente no fim desta página.
Consórcio Nordeste se articula para criar Força de Segurança Integrada
Você sabia que, além da articulação em torno da prevenção à Covid-19, o Consórcio Nordeste também pretende criar uma Força de Segurança Integrada contemplando os nove estados? Uma Câmara Temática foi criada este mês com esse objetivo. O Blog Escrivaninha abordou esse assunto com o secretário da Segurança Pública do Piauí, coronel Rubens Pereira, que está à frente da Câmara Temática de Segurança do Nordeste. Confira a entrevista.
A roupa como uma questão social
Mesmo que o juízo de gosto das pessoas em geral seja bastante diversificado, dadas as experiências particulares de cada um, o juízo de conhecimento, que se conceitua em ideias gerais sobre determinados estereótipos, é que se impõe como forte definidor das ações que temos em relação às pessoas que nos cercam. Essas atitudes reverberam em relação à segurança, onde o conceito de perigo/segurança que nós temos enraizado na nossa educação social está engessada em modelos antigos e preconceituosos que definem que a pessoa perigosa é o homem negro de classe baixa.
Entre idas e vindas pelo Centro de Fortaleza: mobilidade e segurança a partir da visão de um “centreiro”
Há cinco anos, o historiador e cineasta Luís Carlos Saldanha Ribeiro desenvolveu o hábito de andar pelo Centro de Fortaleza com um olhar mais apurado, buscando ver personagens, lugares e situações que passariam batido numa caminhada menos reflexiva e atenta. Segundo ele, não se tratavam apenas de caminhadas, mas de trabalhos orientados a partir daquele espaço como aulas de campo e trabalhos em audiovisual em que o Centro aparece como protagonista. Durante essas andanças, o termo flâneur surgiu a partir de leitura de autores como Charles Baudelaire, João do Rio e Walter Benjamin.
Aproveitando a semana de aniversário de Fortaleza, fizemos algumas perguntas ao “Centreiro” no Instagram relativas à violência urbana e à segurança pública no Centro de Fortaleza.
O desejo de guerrear como um delírio da violência da realidade na guerra
A retórica da guerra em tempos de paz é um desejo delirado de alguém delirante que é incapaz de viver em paz na realidade, quando a guerra delira o corpo e mente e o inconsciente, e suas máquinas desejantes, pulsa pela morte nas veias e no pensamento, e quando alguém já não se sente mais em segurança nem mesmo em casa. Tucídides, ao falar sobre as guerras entre os gregos antes da Guerra de Troia relatada por Homero em Ilíada, demonstra muito bem esse clima de insegurança vivido na realidade depois das guerras de pilhagem em que viviam os gregos.
