Mais três bairros também registram casos de perda de vacina por medo das facções; Prefeitura não se pronuncia

Jovens de pelo menos mais três bairros de Fortaleza, Serrinha, Itaperi e Damas, perderam a vacina contra a Covid-19 por causa do agendamento ter sido marcado para uma unidade de saúde situada em um território dominado por uma facção rival. O medo de que possam ser vítimas de algum tipo de violência no trajeto entre a residência e o posto de vacinação impede que o deslocamento seja feito. Conforme o Blog Escrivaninha apurou, a partir de relato dos próprios profissionais da área da Saúde, nem mesmo o Centro de Eventos representa um local seguro, haja vista o equipamento público estar instalado em uma área sob a influência dos Guardiões do Estado (GDE).

Homero: o precursor da glorificação estética da violência na guerra

Homero foi o primeiro a nos fazer delirar com as cenas violência de uma guerra sem estarmos nela e a desejarmos estar nela guerreando em defesa de um povo. Não por acaso se tornou um educador da aristocracia guerreira que dominava à época por meio do poder da violência militar, forçando todos a obedecer às ordens militares e serem educados para serem militares como em Esparta. Não por acaso, o poeta passou também a ser criticado pelos filósofos, e principalmente por Platão, quando Atenas se tornou uma democracia e o povo retirou o poder das mãos dos militares aristocráticos oligarcas que a dominavam e a não valorizar os atos guerreiros, os feitos de guerra.

O racismo por trás de nossos espelhos

Resenha do filme documentário “Além do Espelho”, dirigido por Ana Flauzina, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e autora do livro: Corpo Negro caído no chão: o sistema penal e o projeto genocida do Estado brasileiro demonstra como a obra cinematográfica promove o encontro de duas grandes vozes do movimento negro, o jornalista Edson Cardoso e o cineasta etíope Haile Gerima.

Faixa de Gaza, Estados Unidos, Ceará: as múltiplas dimensões da violência armada

Houve quem achasse que sairíamos melhor dessa pandemia. Diversos artigos foram escritos em tom otimista sobre esse futuro pós-pandêmico. Tratava-se, no entanto, de um mero desejo que não encontrou correspondência na realidade. A vontade de eliminar o Outro permaneceu alterada mesmo diante de tantas perdas provocadas pela Covid-19. Nossa sede de sangue exige que ainda mais pessoas pereçam por meio da violência armada: seja na Faixa de Gaza, nos Estados Unidos ou no Ceará.

A roupa como uma questão social

Mesmo que o juízo de gosto das pessoas em geral seja bastante diversificado, dadas as experiências particulares de cada um, o juízo de conhecimento, que se conceitua em ideias gerais sobre determinados estereótipos, é que se impõe como forte definidor das ações que temos em relação às pessoas que nos cercam. Essas atitudes reverberam em relação à segurança, onde o conceito de perigo/segurança que nós temos enraizado na nossa educação social está engessada em modelos antigos e preconceituosos que definem que a pessoa perigosa é o homem negro de classe baixa.

Entre idas e vindas pelo Centro de Fortaleza: mobilidade e segurança a partir da visão de um “centreiro”

Há cinco anos, o historiador e cineasta Luís Carlos Saldanha Ribeiro desenvolveu o hábito de andar pelo Centro de Fortaleza com um olhar mais apurado, buscando ver personagens, lugares e situações que passariam batido numa caminhada menos reflexiva e atenta. Segundo ele, não se tratavam apenas de caminhadas, mas de trabalhos orientados a partir daquele espaço como aulas de campo e trabalhos em audiovisual em que o Centro aparece como protagonista. Durante essas andanças, o termo flâneur surgiu a partir de leitura de autores como Charles Baudelaire, João do Rio e Walter Benjamin.
Aproveitando a semana de aniversário de Fortaleza, fizemos algumas perguntas ao “Centreiro” no Instagram relativas à violência urbana e à segurança pública no Centro de Fortaleza.

O desejo de guerrear como um delírio da violência da realidade na guerra

A retórica da guerra em tempos de paz é um desejo delirado de alguém delirante que é incapaz de viver em paz na realidade, quando a guerra delira o corpo e mente e o inconsciente, e suas máquinas desejantes, pulsa pela morte nas veias e no pensamento, e quando alguém já não se sente mais em segurança nem mesmo em casa. Tucídides, ao falar sobre as guerras entre os gregos antes da Guerra de Troia relatada por Homero em Ilíada, demonstra muito bem esse clima de insegurança vivido na realidade depois das guerras de pilhagem em que viviam os gregos.

“M8 – quando a morte socorre a vida”: a morte social retratada nas telas

O filme nacional “M8 – Quando a morte socorre a vida” conta a história de um recém-ingresso na faculdade de Medicina, que encontra o corpo M8 durante suas aulas iniciais de anatomia. Existe um mistério em torno da identidade de quem é aquele corpo, provocando diversas angústias e reflexões no protagonista. No transcorrer do filme é possível ver que existem diversos desdobramentos que se encaixam, envolvendo religiões afro-brasileiras, racismo e movimentos sociais liderados por mulheres negras.

Como o “nós e eles” divide o Brasil em um cenário de pandemia

Na obra “Como as democracias morrem”, algumas características nos ajudam a reconhecer líderes autoritários. Dentre elas ressaltamos o ataque a rivais partidários, encorajamento à violência contra aqueles que não compartilham de suas ideais, e, por fim, propensão a restringir liberdades, nesse caso a de expressão por parte da mídia. É possível notar não só o viés autoritário do governo federal como também sua propensão a dicotomizar e rivalizar, dividindo o cenário político e social entre “nós” e “eles”.