Leo e Pedro, jovens do Jangurussu unidos pela arte

“Pedro”, o mais recente curta-metragem de Leo Silva, aborda a memória e as vivências infantis no bairro em que cresceu e que mora até hoje. Leo argumenta, contudo, que o filme não é uma autobiografia. A ideia de fazer o audiovisual nasceu da infância abreviada que teve, pois logo teve que assumir responsabilidades, como o trabalho. Os atores também são moradores do Jangurussu. Sobre a relação dos jovens com a comunidade, Leo Silva afirma que perdeu diversos amigos de infância para a violência armada e que a comunidade é um alvo fácil para a criminalidade. Apesar da falta de oportunidade atrapalhar o desenvolvimento profissional nas periferias, o cineasta destaca que é importante ter proatividade, como ele teve em buscar seus cursos.

Os crimes de guerra sob a análise de Walter Benjamin

A guerra se tornou uma arte pela arte, a morte pela morte, uma retórica propriamente dita, sem ninguém para se responsabilizar por ela, é a banalidade do mal sobre a qual nos adverte Hannah Arendt em seguida a Benjamin, o crime perfeito que não deixa suspeito, o crime pelo qual não há nenhuma culpa e nenhuma desculpa. A morte pela qual não há nenhuma dor, sofrimento, nem tão pouco ressentimento. É o fascismo injetado nas veias por uma bomba atômica ou de fósforo que mata por dentro, imediatamente, de uma vez, por explosão, mas também aos poucos, conduzindo à morte agonizante por ódio mobilizado pela retórica da guerra que incita uma nação a cometer crimes de guerra sem culpa alguma por ela e pelos mortos nela, pois a culpa é sempre dos outros.

Livro aborda o olhar de um policial-escritor sobre a violência em Fortaleza

A obra intitulada “Crônicas da periferia. Histórias de violência e redenção” será lançada nesta quinta-feira, dia 7, na Livraria Lamarca. No evento, será realizada uma exposição fotográfica com imagens que ilustram o livro. De acordo com o inspetor, a sua intenção é contar as histórias que já presenciou ao longo das ocorrências policiais. “As fotografias mostram a relação das pessoas com a violência. Elas não exploram cadáveres, mas demostram a realidade de violência que crianças e jovens estão inseridos desde cedo”, afirma Cláudio Marques.

A retórica fascista da guerra

O que vemos acontecer na Ucrânia não é apenas uma disputa territorial, mas também o retorno de antigos traumas de guerra e de uma retórica de guerra diferente a partir de cada envolvido. Por um lado, neonazistas ucranianos defendem a Ucrânia a partir do antigo ressentimento pela guerra perdida pelos nazistas alemães utilizando o nacionalismo como uma defesa do Estado contra minorias. Por outro, Russos se ressentem do avanço militar da OTAN em países do leste europeu em desacordo com os tratados pós-guerra e, em contrapartida a OTAN e demais países do mundo revivem os traumas com o comunismo numa ofensiva de sanções e restrições à Rússia somente comparável às sanções e restrições dos países capitalistas à Cuba.

As marcas e os traumas dos nossos conflitos cotidianos

Se as palavras que descrevem uma guerra na literatura e as imagens de guerra em filmes produzem tanto uma sensação de medo, terror e horror é porque nos violentam e deixam marcas que fazem o corpo gritar e chorar realmente, pois sabe que não são simplesmente fictícias, é uma realidade. E é uma realidade ainda mais para aqueles que vivem semelhante aos que vivem em guerra real, com os nervos à flor da pele, pois o cotidiano de conflito deixa marcas de violência como na guerra, violenta-nos e nos mata aos poucos com traumas profundos até a morte iminente. Ou seja, as marcas de guerra são vivenciadas por nós mesmo que não vivamos numa guerra de verdade, mas outros querem que vivamos, em constante retórica de guerra de uns contra os outros ao criarem inimigos fictícios que se tornam reais para nos traumatizar e traumatizar ainda mais com palavras e imagens aqueles que já vivem em conflito devido à violência cotidiana.

Mais três bairros também registram casos de perda de vacina por medo das facções; Prefeitura não se pronuncia

Jovens de pelo menos mais três bairros de Fortaleza, Serrinha, Itaperi e Damas, perderam a vacina contra a Covid-19 por causa do agendamento ter sido marcado para uma unidade de saúde situada em um território dominado por uma facção rival. O medo de que possam ser vítimas de algum tipo de violência no trajeto entre a residência e o posto de vacinação impede que o deslocamento seja feito. Conforme o Blog Escrivaninha apurou, a partir de relato dos próprios profissionais da área da Saúde, nem mesmo o Centro de Eventos representa um local seguro, haja vista o equipamento público estar instalado em uma área sob a influência dos Guardiões do Estado (GDE).

Homero: o precursor da glorificação estética da violência na guerra

Homero foi o primeiro a nos fazer delirar com as cenas violência de uma guerra sem estarmos nela e a desejarmos estar nela guerreando em defesa de um povo. Não por acaso se tornou um educador da aristocracia guerreira que dominava à época por meio do poder da violência militar, forçando todos a obedecer às ordens militares e serem educados para serem militares como em Esparta. Não por acaso, o poeta passou também a ser criticado pelos filósofos, e principalmente por Platão, quando Atenas se tornou uma democracia e o povo retirou o poder das mãos dos militares aristocráticos oligarcas que a dominavam e a não valorizar os atos guerreiros, os feitos de guerra.

O racismo por trás de nossos espelhos

Resenha do filme documentário “Além do Espelho”, dirigido por Ana Flauzina, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e autora do livro: Corpo Negro caído no chão: o sistema penal e o projeto genocida do Estado brasileiro demonstra como a obra cinematográfica promove o encontro de duas grandes vozes do movimento negro, o jornalista Edson Cardoso e o cineasta etíope Haile Gerima.

Faixa de Gaza, Estados Unidos, Ceará: as múltiplas dimensões da violência armada

Houve quem achasse que sairíamos melhor dessa pandemia. Diversos artigos foram escritos em tom otimista sobre esse futuro pós-pandêmico. Tratava-se, no entanto, de um mero desejo que não encontrou correspondência na realidade. A vontade de eliminar o Outro permaneceu alterada mesmo diante de tantas perdas provocadas pela Covid-19. Nossa sede de sangue exige que ainda mais pessoas pereçam por meio da violência armada: seja na Faixa de Gaza, nos Estados Unidos ou no Ceará.

A roupa como uma questão social

Mesmo que o juízo de gosto das pessoas em geral seja bastante diversificado, dadas as experiências particulares de cada um, o juízo de conhecimento, que se conceitua em ideias gerais sobre determinados estereótipos, é que se impõe como forte definidor das ações que temos em relação às pessoas que nos cercam. Essas atitudes reverberam em relação à segurança, onde o conceito de perigo/segurança que nós temos enraizado na nossa educação social está engessada em modelos antigos e preconceituosos que definem que a pessoa perigosa é o homem negro de classe baixa.