Plano Nacional prioriza profissionais de segurança; feminicídios e letalidade policial ficam de fora

Ao mesmo tempo em que dá ênfase à proteção dos policiais, o novo Plano Nacional de Segurança exclui qualquer menção à letalidade policial, que deixa de ser um indicador. Em seu lugar, entram o quantitativo de profissionais de segurança pública mortos em decorrência de sua atividade, a taxa de vitimização de profissionais de segurança pública e a taxa de suicídios de profissionais de segurança pública. Saberemos de forma precisa quantos policiais morrem no Brasil. Em compensação, o número de pessoas mortas pela polícia será uma incógnita. É quase um excludente de ilicitude estatístico. Reprimir o crime organizado, combater a expansão das milícias, rever a política de drogas, aperfeiçoar o controle e o rastreamento de armas de fogo, munições e explosivos, articular ações no âmbito da gestão municipal da segurança… Nenhum desses temas aparece como um grupo prioritário no documento.

De 81 mortos por intervenção policial em Fortaleza, apenas um era negro. É o que dizem os números oficiais

De janeiro de 2020 a junho de 2021, 81 pessoas foram mortas em decorrência da intervenção policial, em Fortaleza. Desse total, todos eram do sexo masculino e 87% dos mortos tinham entre 15 e 29 anos, ou seja, eram jovens, conforme a definição do Estatuto da Juventude. As informações sobre letalidade policial disponibilizadas, contudo, apresentam subnotificação em relação à raça das vítimas: 71,6% das mortes por intervenção policial não possuem identificação racial. Do total de 81 pessoas mortas pela polícia, somente 22 tiveram a indicação da cor da pele: 20 foram classificadas como pardas (25,9%), uma como preta (1,2%) e outra como branca (1,2%). Segundo os números oficiais, a mesma quantidade de homens brancos e negros foram mortos pela polícia em Fortaleza no período.

Movimentos e organismos eclesiais repudiam ação de “higienização social” no Centro de Fortaleza

Após a remoção de pessoas em situação de rua da Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza, movimentos e organismos eclesiais assinaram uma nota de repúdio à Prefeitura nesta segunda, dia 27. “Ações higienistas têm acontecido corriqueiramente nessa cidade e são muitas as denúncias que temos recebido nos últimos dias. Entendemos que não é possível dissociar a cruel realidade da ausência de políticas públicas e humanizadas para a População em Situação de Rua, a falta de orçamento ou a não aplicação deste em direitos sociais fundamentais, as ações higienistas e de limpeza social, de retirada compulsória, do grave número de subnotificação de homicídio e abandono social dessa população”, afirma um trecho do documento.

LGBTfobia pode ter sido causa da morte de professor da rede municipal

O professor Marco Aurélio Marques, 49 anos, da rede municipal de ensino, pode ter sido mais uma vítima de LGBTfobia em Fortaleza. É o que acreditam amigos e colegas de profissão da vítima. Marco Aurélio estava desaparecido desde a noite da última sexta-feira, dia 24. Pouco depois, uma campanha de mobilização em torno da sua localização, movida por parentes e amigos, teve início nas redes sociais. Na tarde de sábado, a esperança de reencontrar o professor vivo deu lugar à tristeza. O corpo dele estava no Instituto Médico Legal (IML) de Fortaleza e foi reconhecido por meio da impressão digital. Não há informações sobre o local onde ele teria sido assassinado. Conforme o blog apurou, o cadáver possuía diversas marcas de agressão, uma característica bastante comum em crimes de ódio. A possibilidade de que Marco Aurélio Marques possa ter sido vítima de um latrocínio (roubo seguido de morte) também não foi descartada.

Série de assassinatos múltiplos gera terror na Região Metropolitana

As estatísticas do mês de agosto interromperam a tendência de queda nos assassinatos no Ceará. O cenário que se descortina pela frente não é auspicioso. Os primeiros quinze dias de setembro já são superiores em homicídios aos quinze primeiros dias de agosto, indicando que a onda de violência é ascendente. Os assassinatos múltiplos se sucedem, em especial na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Crimes violentos letais intencionais aumentam 8% em agosto no Ceará

A trajetória de queda observada nos números da violência letal deste ano, no Ceará, foi interrompida. O Estado registrou 281 crimes violentos letais intencionais (CVLI) no mês passado, ou seja, um aumento de 8% na comparação com agosto de 2020, quando foram contabilizados 260 assassinatos. Em 2019, esse número foi ainda menor: 186. O CVLI representa a soma dos seguintes crimes: homicídio doloso/feminicídio, lesão corporal seguida de morte e roubo seguido de morte (latrocínio). Neste ano, o Ceará soma 2.143 homicídios.

Movimentos e entidades católicas, lideranças, religiosos/as e pastores do Ceará assinam carta aberta em defesa da democracia

Assim como ocorreu com a Igreja Betesda no Ceará, movimentos da Igreja Católica e pastores de diversas denominações assinaram uma carta aberta em defesa da democracia e da vida. No texto, os signatários fazem memória do papel da Igreja no combate à Ditadura Militar bem como destacam a necessidade do profetismo nos tempos atuais. Confira o texto na íntegra publicado com exclusividade no Blog Escrivaninha.

Os múltiplos gritos dos/as excluídos/as: um guia das manifestações no Ceará

Quem é do Ceará e deseja participar das manifestações do 27º Grito dos/as Excluídos/as, segue uma relação de locais e horários. Nestes 27 anos de história, o Grito dos Excluídos e das Excluídas mudou a cara do 7 de Setembro e da Semana da Pátria. Chamou o povo para descer das arquibancadas dos desfiles cívicos e militares e participar, ativamente, na luta por seus direitos, e ocupar as ruas e praças, nos centros e nas periferias de todo o Brasil. Vale ressaltar os cuidados sanitários e com a própria segurança que cercam um evento como esse.

A polícia militar não pode servir como força auxiliar do caos

Na falta de um corpo organizado no interior das Forças Armadas que tope encarar a aventura do autogolpe, como ocorreu na Ditadura Militar, o presidente busca aliados em suas forças auxiliares, as polícias militares, causando mais uma dor de cabeça aos governadores. Vale ressaltar que os gestores estaduais são tidos pelos grupos bolsonaristas como os bodes expiatórios de tudo o que acontece de ruim neste país: da explosão de casos de Covid-19 ao aumento no preço da gasolina. O Ceará tem dado um exemplo de como lidar com grupos cujos interesses se chocam com os valores democráticos. A atuação do Ministério Público Militar e da CPI das Associações Militares são peças fundamentais para determinar o que há por trás das ações de insubordinação mais recentes contra o Governo do Estado. Não é o momento de tergiversar. Em momentos de crise, a Polícia Militar precisa se manter como uma força auxiliar de defesa da ordem constitucional e não de interesses escusos, por mais que venham embalados sob a ardilosa bandeira do patriotismo.

Ouvidor-geral toma posse em meio a protestos e pedido de nulidade do certame

Em meio aos protestos dos movimentos sociais e sob o parecer desfavorável da Conselho Nacional de Ouvidorias de Defensorias Públicas, que defende a nulidade do certame, o advogado Francisco Alysson da Silva Frota tomou posse como novo ouvidor da Defensoria Pública Geral do Ceará. O mandato é de dois anos.