Leo e Pedro, jovens do Jangurussu unidos pela arte

Após realizar duas exposições fotográficas, Leo Silva apresenta sua nova incursão no audiovisual. O curta-metragem “Pedro” retrata a vida de jovens que, como ele, cresceram no Grande Jangurussu

Por Dayanne Borges

Tudo começou em 2015 quando Leo Silva, que já era um admirador das imagens, buscou capacitar-se por meio de um curso de audiovisual e fotografia no Centro Urbano de Cultura e Arte (Cuca) do bairro Jangurussu. A teoria aprendida somou-se à experiência de viver naquela comunidade, em meio à escassez de recursos, de oportunidades e sob o estigma social da violência. Longe de estagná-lo, as dificuldades não impediram o seu desenvolvimento como artista. O resultado de todo esse processo de maturação começou a ser visto inicialmente nas fotos e na produção de conteúdo voltado aos movimentos sociais.

Leo Silva promoveu duas exposições de fotografia nomeadas de “Simples cidade – simplicidade” (2017) e “Meninos de Deus” (2019). Ambas foram tema de debates em universidades e também circularam pelo Grande Jangurussu para que os moradores do bairro pudessem se ver, como em um reflexo. A exposição “Meninos de Deus” foi inspirada em um projeto social que carrega o mesmo nome fundado em 2006. O movimento visa atender jovens e familiares em situação de vulnerabilidade social. As atividades ocorrem nas comunidades do Santa Filomena, Gereba e João Paulo II.

“Pedro” é seu novo projeto. O curta-metragem aborda a memória e as vivências infantis no bairro em que cresceu e que mora até hoje. Leo argumenta, contudo, que o filme não é uma autobiografia. O audiovisual nasceu da infância abreviada que teve, pois logo teve que assumir responsabilidades, como o trabalho. Os atores também são moradores da comunidade. Para a produção do filme foi lançado um financiamento coletivo. Além disso, a película também contou com parcerias, patrocínios e apoios. 

Quando questionado sobre as expectativas da sua carreira, Leo conta que evita fantasiar o futuro e que prefere viver o agora. Atualmente, o audiovisual e a fotografia são suas fontes de renda. “Apesar de não ser um emprego formal e estável, o meu sustento vem desse trabalho”, revela.

Resistir pela arte

Sobre a relação dos jovens com a comunidade, Leo Silva afirma que perdeu diversos amigos de infância para a violência armada e que a comunidade é um alvo fácil para a criminalidade. Apesar da falta de oportunidade atrapalhar o desenvolvimento profissional dos jovens das periferias, o cineasta destaca que é importante ter proatividade, como ele teve em buscar seus cursos.

Leo Silva comenta ainda que o termo “bairro violento” atribuído ao Grande Jangurussu é carregado de preconceitos alimentado por uma mídia, principalmente os programas policiais, que só mostra os acontecimentos negativos da comunidade. A região ainda é violentada culturalmente quando é lembrada somente pelo lixão, ou seja, pelo aterro sanitário que havia no local. Ele prefere se referir à comunidade Santa Filomena como “violentada”. “Violento é quem carrega o estigma que o bairro Jangurussu é perigoso. Essas pessoas desconhecem a realidade do local”, afirma.  

Serviço

Curta-metragem “Pedro”

Estreia dia 14/05, às 18h30, na Casa de Arte Bate Palmas, avenida Valparaíso, 673, Conjunto Palmeiras.    

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