De 81 mortos por intervenção policial em Fortaleza, apenas um era negro. É o que dizem os números oficiais

De janeiro de 2020 a junho de 2021, 81 pessoas foram mortas em decorrência da intervenção policial, em Fortaleza. Desse total, todos eram do sexo masculino e 87% dos mortos tinham entre 15 e 29 anos, ou seja, eram jovens, conforme a definição do Estatuto da Juventude. As informações sobre letalidade policial disponibilizadas, contudo, apresentam subnotificação em relação à raça das vítimas: 71,6% das mortes por intervenção policial não possuem identificação racial. Do total de 81 pessoas mortas pela polícia, somente 22 tiveram a indicação da cor da pele: 20 foram classificadas como pardas (25,9%), uma como preta (1,2%) e outra como branca (1,2%). Segundo os números oficiais, a mesma quantidade de homens brancos e negros foram mortos pela polícia em Fortaleza no período.

Movimentos e organismos eclesiais repudiam ação de “higienização social” no Centro de Fortaleza

Após a remoção de pessoas em situação de rua da Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza, movimentos e organismos eclesiais assinaram uma nota de repúdio à Prefeitura nesta segunda, dia 27. “Ações higienistas têm acontecido corriqueiramente nessa cidade e são muitas as denúncias que temos recebido nos últimos dias. Entendemos que não é possível dissociar a cruel realidade da ausência de políticas públicas e humanizadas para a População em Situação de Rua, a falta de orçamento ou a não aplicação deste em direitos sociais fundamentais, as ações higienistas e de limpeza social, de retirada compulsória, do grave número de subnotificação de homicídio e abandono social dessa população”, afirma um trecho do documento.

LGBTfobia pode ter sido causa da morte de professor da rede municipal

O professor Marco Aurélio Marques, 49 anos, da rede municipal de ensino, pode ter sido mais uma vítima de LGBTfobia em Fortaleza. É o que acreditam amigos e colegas de profissão da vítima. Marco Aurélio estava desaparecido desde a noite da última sexta-feira, dia 24. Pouco depois, uma campanha de mobilização em torno da sua localização, movida por parentes e amigos, teve início nas redes sociais. Na tarde de sábado, a esperança de reencontrar o professor vivo deu lugar à tristeza. O corpo dele estava no Instituto Médico Legal (IML) de Fortaleza e foi reconhecido por meio da impressão digital. Não há informações sobre o local onde ele teria sido assassinado. Conforme o blog apurou, o cadáver possuía diversas marcas de agressão, uma característica bastante comum em crimes de ódio. A possibilidade de que Marco Aurélio Marques possa ter sido vítima de um latrocínio (roubo seguido de morte) também não foi descartada.

Cidade dos Funcionários pode ser o novo destino da Feira José Avelino

A avenida Júlio Jorge Vieira, na Cidade dos Funcionários, pode ser o novo destino da Feira José Avelino. A via dá acesso à rodovia BR-116, ao lado do mercado Assaí Atacadista. Moradores reclamam do abandono da avenida, que não é pavimentada, e da sujeira, haja vista que o espaço serve atualmente como depósito de lixo e entulho. A informação de que o local está sendo estudado como nova sede da feira foi repassada durante uma reunião com um grupo de moradores do bairro.

Covid-19: Guardas municipais aguardam serem vacinados; baixas chegam a 12

Na terceira reportagem da série sobre o impacto da Covid-19 entre os profissionais da segurança pública, abordamos a situação da Guarda Municipal de Fortaleza (GMF). Os agentes começaram a ser vacinados em abril, mas quem não mora na Capital se queixa pela falta de imunização.

Em abril, Fortaleza registra mais mortes do que nascimentos pelo 2º mês consecutivo

Com cerca de 2,6 milhões de habitantes, Fortaleza teve até a última sexta-feira, dia 30, 3.108 óbitos e 2.655 nascimentos feitos em cartórios de Registro Civil no mês de abril. Os dados são do Portal da Transparência do Registro Civil e se referem a março e abril de 2021. A capital cearense é uma das três capitais nordestinas em que as mortes superam nascimentos no mês. O número repete fenômeno observado em março, que teve 3.421 óbitos e 2.473 nascimentos, se tornando o quarto mês na História em que as mortes superaram os nascidos vivos.

Repressão à manifestação foi completamente incompatível com os princípios básicos do Estado de Direito, afirma Copen

Cláudio Justa, presidente do Conselho Penitenciário do Ceará (Copen), participou na manhã de hoje, dia 23, de uma reunião do Núcleo de Direitos Humanos e Ações Coletivas da Defensoria Pública do Estado (NDHAC) para acompanhar a escuta das vítimas e testemunhas no caso do protesto na SAP. De acordo com o relato dele, a conduta da Polícia Militar foi completamente incompatível com os princípios básicos do estado de Direito. “Uso abusivo da força ficou patente além da nítida intenção não de conter ameaça de distúrbios, mas sim de reprimir o próprio direito constitucional à manifestação.
As agressões também foram seletivas, com militantes negros como alvos. Um protesto pacífico, com a presença de mulheres, crianças e religiosos da Pastoral Carcerária foi reprimido, de modo injustificável, com spray de pimenta, balas de borracha e, pasmem, com uso de munição letal”, afirmou.

Entidades da sociedade civil repudiam repressão desproporcional da PM do Ceará contra manifestantes

A resposta desproporcional da PM do Ceará a uma manifestação de mães e familiares do sistema pena, na tarde de ontem, em pleno Dia da Consciência Negra (20 de novembro), foi alvo de uma série de críticas e repúdios públicos. Conforme revela o jornal O POVO, a ação violenta promovida pelo Batalhão de Choque será investigada pelo Núcleo de Investigação Criminal do Ministério Público estadual (MPCE). O procurador geral de Justiça, Manuel Pinheiro, teria encaminhado um vídeo ao promotor Humberto Ibiapina, coordenador da área, para abertura do procedimento.

Adversários na campanha, Sarto e Wagner possuem propostas com mais semelhanças que diferenças para a segurança municipal

Com 35,72% dos votos válidos, Sarto Nogueira (PDT) entra no segundo turno em vantagem diante de seu adversário, Capitão Wagner (Pros), que obteve 33,32%. Embora o medo da violência e o avanço da criminalidade estejam muito presentes nos discursos cotidianos da população fortalezense, o debate sobre o tema pouco avançou no primeiro turno. Os ataques pessoais foram a tônica da campanha, restando muito pouco espaço para se discutir o que havia nos planos de governo. Há quem não goste da comparação, mas em se tratando das propostas para a área de segurança municipal, os dois candidatos possuem mais pontos em comum do que divergências. Basta conferir o que vem sendo proposto e o que vem sendo realizado pela atual gestão.

Uma agenda de segurança pública para Fortaleza

É preciso pensar uma agenda consistente em torno de soluções que vão além do mais do mesmo. Base legal para tanto já existe. Criado em 2018, o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) é uma tentativa de estabelecer uma atuação “conjunta, coordenada, sistêmica e integrada” dos órgãos responsáveis pela segurança pública nos moldes do que foi feito no Sistema Único de Saúde (SUS). Os municípios são citados o mesmo número de vezes (11) que os estados no texto do SUSP, reforçando o papel do poder municipal em prover segurança aos seus cidadãos e cidadãs no interior de suas competências e atribuições legais.