Livro aborda o olhar de um policial-escritor sobre a violência em Fortaleza

A obra intitulada “Crônicas da periferia. Histórias de violência e redenção” será lançada nesta quinta-feira, dia 7, na Livraria Lamarca. No evento, será realizada uma exposição fotográfica com imagens que ilustram o livro.

Por Dayanne Borges

Há nove anos trabalhando como inspetor da Polícia Civil, Cláudio Marques decidiu registrar cenas do cotidiano e acontecimentos que lhe despertavam a atenção no período em que esteve lotado no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa. Os questionamentos sobre a realidade vieram foram traduzidos tanto por meio de fotos quanto dos textos que passou a escrever nos horários de folga. Nesta quinta-feira, dia 7, na Livraria Lamarca, o policial lança o livro “Crônicas da periferia. Histórias de violência e redenção”, em que compila esses achados.    

De acordo com o inspetor, sua intenção é contar as histórias que já presenciou ao longo das ocorrências policiais. “As fotografias mostram a relação das pessoas com a violência. Elas não exploram cadáveres, mas demostram a realidade de violência que crianças e jovens estão inseridos desde cedo”, afirma. Cláudio Marques afirma que o livro é uma produção independente que narra a história de pessoas que tiverem seu cotidiano alterado diante da ascensão de grupos criminosos organizados nas periferias.

Graduado em Filosofia e especialista em Segurança Pública e Direitos Humanos, Cláudio Marques revela que percebeu sua habilidade para a escrita a partir da produção dos relatórios que redige em seu ofício na Polícia Civil. Os documentos são encaminhados para órgãos de justiça, como o Ministério Público, Tribunal de Justiça e Defensoria Pública. Ele sentiu necessidade de amplificar essas histórias para toda sociedade. Já a fotografia surgiu a partir de uma habilidade não desenvolvida pelo policial, o desenho. “Eu queria desenhar, mas como não tinha muito talento, resolvi desenhar com luz”, comenta.

Cláudio Marques concilia a atividade policial com a escrita e a fotografia. No detalhe, a capa do livro

Ao ser questionado sobre como conciliar o trabalho na polícia com a atividade de fotografia e escrita, Claudio revela que a fotografia pode ser feita com mais facilidade: “O segredo é sempre ter uma câmera à mão. Seja ela qual for. O resto é o olhar do fotógrafo que define.” Segundo o inspetor, o processo de escrita é mais complicado e demanda mais. Ele conta que a investigação de homicídio é cansativa e requer muito tempo de trabalho.

Para Claudio Marques, essas histórias precisam ser trazidas à tona. Ele acrescenta que cada minuto de suas folgas dedicados à produção desses conteúdos vale a pena. “Nós temos acesso a muita coisa que mais ninguém tem. Por que não tentar interpretá-las? Até porque é impossível ser um bom investigador sem ter uma visão holística do problema. Vivemos numa sociedade essencialmente punitiva. O crime ocorre, se deseja a punição ou a morte do envolvido. Poucos se preocupam em compreender o problema com maior profundidade”, argumenta.

Além do livro “Crônicas da periferia. Histórias de violência e redenção.”, Cláudio Marques publicou um artigo intitulado “Bom Jardim Faccionado”. Uma foto feita pelo inspetor foi capa do relatório “Trajetórias interrompidas”, da Assembleia Legislativa, UNICEF e do Governo do Estado do Ceará. Além disso, Cláudio pesquisa a atuação dos coletivos criminais na cidade de Fortaleza.

Serviço

O lançamento tem início a partir das 18 horas. A Livraria Lamarca localiza-se na avenida da Universidade, 2475, no bairro Benfica.

Sobre a imagem. Conforme o autor, as fotos representam uma tentativa de chamar a atenção para a espetacularização da violência e a exposição de crianças, em idades cada vez mais precoces, ao contato visceral e cotidiano com o fenômeno da violência.

Crédito da foto: Cláudio Marques.

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