Feminicídio: um crime de Estado

O Estado não apenas falha, mas se omite em se tratando do homicídio de mulheres. Vale ressaltar que a palavra “feminicídio” foi suprimida do atual Plano Nacional de Segurança. Em apenas uma semana, três mulheres foram assassinadas no Ceará por maridos e ex-companheiros. Enxergar o feminicídio como uma anomalia e não como um sintoma só serve para que possamos varrer o problema para debaixo do tapete. Conforme os estudos da área, o assassinato de uma mulher tem sua origem a partir de agressões verbais, de crimes cometidos e classificados como de menor gravidade, quase inofensivos, nas ameaças recorrentes, nos abusos cotidianos que ficam impunes. Os efeitos sociais dessa masculinidade perversa podem ser observados diariamente. São sinais de alerta que teimamos em não reconhecer e que por vezes não obtêm a resposta adequada do poder público.  

Livro aborda o olhar de um policial-escritor sobre a violência em Fortaleza

A obra intitulada “Crônicas da periferia. Histórias de violência e redenção” será lançada nesta quinta-feira, dia 7, na Livraria Lamarca. No evento, será realizada uma exposição fotográfica com imagens que ilustram o livro. De acordo com o inspetor, a sua intenção é contar as histórias que já presenciou ao longo das ocorrências policiais. “As fotografias mostram a relação das pessoas com a violência. Elas não exploram cadáveres, mas demostram a realidade de violência que crianças e jovens estão inseridos desde cedo”, afirma Cláudio Marques.

Boas e más notícias do sistema prisional cearense

Somados, os números de presos nos regimes aberto e fechado aumentou 79% nos últimos quatro anos, ficando em torno de 30 mil condenados. As medidas punitivas em regime aberto, contudo, como o monitoramento eletrônico, visam à redução da superpopulação carcerária. Trata-se de uma estratégia cuja adoção cresce ano a ano, passando de 1.809 pessoas utilizando tornozeleira eletrônica, em 2018, para 7.726, este ano, ou seja, um crescimento de 299%. Enquanto avança no uso de medidas de punição em regime aberto, como as tornozeleiras eletrônicas, o sistema penitenciário do Ceará ainda é alvo de denúncias por tortura e violações de direitos. O caso mais recente veio do “Relatório de inspeções nos estabelecimentos prisionais do Estado do Ceará” elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Frente Parlamentar pelo Controle de Armas, pela Paz e pela Vida será lançada no Senado

O registro de novas armas de fogos cresceu 300% em 2021 no Brasil. A escalada armamentista ganhou tração com o novo governo federal, que vê no armamento de segmentos da população sua principal proposta na área da segurança pública. O recorte do perfil socioeconômico dos usuários é uma mostra sobre a quem interessa esse projeto. Como uma forma de barrar esse processo, será lançada, nesta terça-feira (22), às 19h, no Senado Federal, a Frente Parlamentar pelo Controle de Armas, pela Paz e pela Vida.

Campanha eleitoral gera guerra de palavras na segurança pública no Ceará

Na disputa pela tomada do Palácio da Abolição, a guerra de palavras começou tendo como principal alvo a segurança pública, um tema que se tornou uma pedra no sapato dos governantes desde o início do século. Vale lembrar que Cid Gomes se elegeu sob a promessa do Ronda do Quarteirão, bem como o Comando de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio) teve papel de protagonista na passagem da gestão do pedetista para a de Camilo Santana. Troca de acusações sobre a área acirra ainda mais o clima político há pouco mais de seis meses da campanha para Governo do Estado. A névoa de desinformação formada pela disputa de egos e pela luta por espaço na mídia entre políticos pouco dizem respeito aos anseios da população em seu cotidiano. Pelo contrário. No meio desse tiroteio verbal, questões relevantes se tornam secundárias e até mesmo esquecidas.

Da pertença ao esquecimento: os desafios de viver no Poço da Draga

Na última sexta-feira, dia 4, a Prefeitura de Fortaleza demoliu barracas dos comerciantes que trabalhavam no Poço da Draga. A ação foi realizada pela Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), com apoio da Guarda Municipal de Fortaleza (GMF) e da Polícia Militar do Ceará (PMCE). Cássia Vasconcelos avalia o ocorrido como um ato violento, agressivo, desrespeitoso e desumano. “Eu nunca pensei na minha vida que iria viver para ver aquela cena. De terror. Imagine você ir dormir e acordar com um trator na sua porta derrubando o seu sonho. Foi isso que aconteceu.”

Quem tem medo de Marielle Franco?

Rua do bairro Conjunto Esperança, em Fortaleza, que recebeu o nome da vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em março de 2018, é alvo de vandalismo. A maioria das placas indicando a denominação da vida foram arrancadas. Para historiadores e moradores do bairro, a ação vai além do vandalismo comum, sendo resultado da intolerância política vivida nos tempos atuais. Os entrevistados criticam ainda a falta de maior participação da comunidade na tomada de decisão sobre mudanças no local em que moram.

Maus-tratos e canibalismo: cachorros são soltos após um mês de abandono

Proprietários de um imóvel no bairro Barrocão, em Itaitinga, abandonaram um grupo de cachorros há cerca de um mês sem alimentos e os cuidados devidos. Um vizinho notou que havia algo errado e decidiu filmar os animais como forma de denúncia e pedido de socorro. Para sobreviverem, os animais estavam se alimentando de um cão já morto. O crime de maus-tratos e abandono prevê pena de prisão.

Jornalista é morto no Pirambu após noticiar prisão de membros da facção

Givanildo Oliveira, proprietário do site Pirambu News, foi assassinado na noite de ontem, na rua Nossa Senhora das Graças, no bairro Pirambu. As primeiras informações sobre o caso dão conta de que ele teria sido morto após publicar uma matéria em que descreve a prisão de Franscisco Airton Vieira Araújo, de 24 anos, acusado por duplo homicídio. O crime teria sido uma forma de retaliação contra o jornalista. O site Pirambu News retratava a realidade do bairro, informando sobre o dia a dia da comunidade e publicando notícias relacionadas à segurança pública. De acordo com o perfil do portal no Instagram, tratava-se de “um projeto 100% voltado para estudantes de jornalismo e jornalistas formados das periferias”. As matérias relativas à criminalidade local traziam indicação de números de telefone dos órgãos de segurança para que a população pudesse denunciar a ação de criminosos, como o 181, o (85) 3101.0181, do Whatsapp, e o (85) 3257.4807, da Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), também.

Em Fortaleza, Sergio Moro cobra o crédito ao seu Ministério por queda dos homicídios no Ceará em 2019

Embora tenha permanecido pouco tempo à frente do Ministério da Segurança Pública, Sergio Moro teve de lidar com dois momentos-chave da história recente do Ceará. O primeiro deles foram os ataques das facções ocorridos em janeiro de 2019. “O problema dos atentados foi muito grave. A gente não hesitou nem por um minuto. Formamos, desde o início, um gabinete de crise no Ministério para fazer o planejamento necessário para atender o Estado antes ainda que o presidente nos desse o sinal verde para tomar essa decisão. Mandamos Força Nacional, criamos uma força de intervenção penitenciária e transferimos as lideranças criminosas do Ceará para presídios federais”, enumera. O presidenciável atribuiu ainda a queda dos homicídios no Ceará naquele ano à sua atuação à frente do Ministério da Segurança Pública, em especial no processo de reordenamento do sistema penitenciário, foco da insatisfação dos grupos criminosos à frente dos ataques: “Negar a atuação do Ministério da Segurança Pública na queda dos homicídios em 2019 é um argumento falacioso”, disse.