Pastorais sociais denunciam “cisma branco” e rejeição ao modelo de Igreja do papa Francisco

Vinte e seis pastorais sociais e movimentos da Arquidiocese de Fortaleza se manifestaram ontem, por meio de uma nota de solidariedade, sobre as agressões sofridas pelos sacerdotes da Paróquia da Paz. De acordo com o documento, as ofensas mostram “com clarividência a rejeição ao modelo de Igreja em saída para as periferias, ao modelo de Igreja participativa e da profecia que papa Francisco tanto deseja e que ele mesmo tem encontrado por parte do conjunto de muitos que se dizem ‘católicos’ e mesmo de hierarquia e laicato, profundas dificuldades e rejeições, num verdadeiro ‘cisma branco’ no interior dessa Igreja”.

Frei franciscano sofre ataques e ameaças de morte por apoio à população LGBTQIA+

As hostilidades a religiosos que defendem uma igreja com valores mais progressistas não se restringem apenas às intimidações ocorridas aos padres da Paróquia da Paz e que resultaram no ingresso dos sacerdotes ao Programa de Prevenção a Defensores dos Direitos Humanos (PPDDH). O frei Lorrane Clementino, da Ordem dos Frades Menores (OFM), vem sendo alvo, nos últimos dias, de ataques pessoais e ameaças de morte por sua luta a favor da população LGBTQIA+ e pelas críticas feitas ao Governo Federal e às práticas conservadoras no interior da Igreja Católica.

“Botamos os comunistas pra correr”, grupo comemora boicote a padres

“Brasil acima de tudo. Deus acima de todos. Missa Paróquia Paz hj. Botamos os comunistas pra correr”. A mensagem de voz que circula no whatsapp dá conta de uma bem-sucedida ação promovida na Igreja Matriz da Paróquia da Paz, nesse último domingo, dia 18, por bolsonaristas. Um militar reformado expõe ao interlocutor suas impressões sobre a presença ostensiva e organizada de opositores na celebração a fim de impedir que pautas que não fossem de interesse do grupo fossem abordadas na missa. A intimidação dos religiosos da Paróquia da Paz, sem que os opositores enfrentassem maior resistência, abre um perigoso precedente na Igreja Católica do Ceará. Os profetas ainda poderão falar na Arquidiocese que um dia foi conduzida por dom Aloa sio Lorscheider?

Padre Lino irá solicitar inclusão no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH)

Aos 82 anos de idade e aos 56 anos de vida sacerdotal, o padre italiano Lino Allegri, deverá solicitar o ingresso no Programa Estadual de Proteção aos Defensores e Defensoras de Direitos Humanos (PPDDH). A decisão ocorreu na noite da última quinta-feira, dia 15, durante uma reunião virtual com amigos e membros da Defensoria Pública e do Ministério Público. A escalada de agressões, ataques virtuais e hostilidades ocorridas na Paróquia da Paz contribuiu para que esse fosse o caminho a ser tomado. A medida visa à proteção da integridade pessoal do sacerdote, bem como assegurar a manutenção da atuação dele na defesa dos direitos humanos. A possibilidade de que mais pessoas envolvidas nesse episódio de intolerância possam vir a pedir a inclusão no programa não está descartada.

Hostilidade a padres reflete polaridade política na sociedade e na igreja

A Paróquia da Paz vive os efeitos de uma “guerra fria” causada pela polarização política e por desentendimentos sobre as decisões tomadas pela Igreja Católica após o papado de Francisco, bem como a chegada à paróquia de sacerdotes alinhados aos novos rumos do Vaticano. O que vinha transcorrendo como um conflito ideológico velado, restrito apenas ao universo cotidiano dos paroquianos, tornou-se um caso de repercussão nacional após a tentativa de intimidação promovida por fiéis da própria paróquia ao padre Lino Allegri, no último dia 4, após a celebração dominical.

Em áudio, empresário faz ofensas a pároco e reforça ação de “patriotas” no domingo

O Blog Escrivaninha obteve acesso a um áudio de whatsapp no qual um empresário profere diversos ataques ao padre Oliveira Braga Rodrigues, pároco da Paróquia da Paz, na Aldeota. O religioso é chamado de “comunista”, “canalha”, “picareta”, “imbecil” e “safado”. A mensagem de voz se encerra com mais ofensas e ameaças a partir da presença dos “patriotas” na celebração de 8 horas do domingo. O homem ainda debocha do esquema de segurança montado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) no último domingo, dia 11, que havia enviado viaturas para monitorar o entorno da igreja.

Padres são hostilizados por fiéis da Paróquia da Paz em grupos de Whatsapp

As ações de intolerância contra o sacerdote que criticou o presidente Jair Bolsonaro ganharam novos capítulos esta semana. Mensagens veiculadas no Whatsapp trazem acusações pessoais ao padre Lino Allegri e também ao pároco, o padre Oliveira Rodrigues. Em um dos trechos, há menção a uma nova intervenção na celebração do próximo domingo. As postagens foram feitas dois dias após um militar reformado ter sido expulso da igreja por tentar interromper a missa dominical.