Rotina da Polícia Civil muda na pandemia; mortos pela Covid-19 chegam a 10

Dando continuidade à série de reportagens que retrata os impactos da Covid-19 sobre os profissionais da segurança pública do Estado, abordamos hoje as mudanças ocorridas no cotidiano da Polícia Civil em um cenário de pandemia. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE), 10 policiais civis morreram em decorrência do Coronavírus no Estado

Por Dayanne Borges e Ricardo Moura

Embora não tenha como missão realizar policiamento de rua e nem dispersar aglomerações, como ocorre com a Polícia Militar, os agentes da Polícia Civil não estão imunes aos riscos trazidos pelo Coronavírus. Mesmo com um amplo número de ocorrências podendo ser registrado por meio da delegacia eletrônica, o atendimento presencial se manteve ainda que em expediente reduzido.

O número de baixas provocado pelo Coronavírus na Polícia Civil é elevado na comparação com o efetivo da Polícia Militar. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE), 10 policiais civis morreram por causa da Covid-19 no Ceará. Conforme o Blog Escrivaninha revelou ontem, 42 policiais militares morreram em decorrência da doença. No entanto, o efetivo da PM (20,6 mil policiais) é seis vezes maior que o da Polícia Civil (3,7 mil agentes).

O pico no número de óbitos ocorreu em março. Na ocasião, o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol) chamou atenção paras más condições de trabalho dos agentes por meio de nota: “Alertamos a Delegacia Geral para os riscos a que nossos colegas estão sendo submetidos nesta segunda fase da pandemia. O revezamento de equipes, aplicado na primeira onda da Covid-19, por exemplo, reduziria a quantidade de pessoas em um mesmo ambiente e evitaria que um colega acabasse contaminando um número maior de colegas e de pessoas que buscam nossos serviços. A desinfecção das delegacias também não está sendo constante, risco para quem trabalha e aos que buscam os serviços desenvolvidos pela Polícia Civil”.

Um policial civil que atua no Interior do Estado comenta a realidade de dificuldades e perdas a qual está submetido nesse período de pandemia. O local de trabalho como um risco em potencial para a contaminação do Coronavírus, a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e a morte dos colegas de corporação são algumas de suas queixas.

De acordo com o relato do policial, a rotina de trabalho foi modificada para evitar aglomerações nas delegacias. O registro de Boletins de Ocorrência foi limitado. Além disso, a Secretaria de Segurança Público ampliou a possibilidade de os BOs serem realizados de forma online ou remota. “Só são atendidos presencialmente idosos e pessoas da zona rural com dificuldade de acesso à internet. Nas duas ondas da pandemia, os inquéritos tiveram uma baixa rotatividade na sua instauração a fim de evitar a maior exposição dos policiais. Tantos inspetores quanto escrivães não podiam gerar um grande fluxo de movimentação nas delegacias”, comenta.

EPIs e dedetização

Sobre os equipamentos de proteção individual, o policial declarou que a equipe não está recebendo insumos como álcool gel e máscaras para exercer seu trabalho. Os agentes só contam com as máscaras disponibilizadas pelo Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), mas o material delas não seria satisfatório. Na tentativa de superar essa situação, os delegados estariam buscando parcerias com as prefeituras de cada município para disponibilizar máscaras e álcool em gel tanto para os profissionais quanto para os detentos.

A falta de estrutura para trabalhar também é motivo de crítica. “No Interior existem delegacias sendo alocadas em casas. A dedetização acontece uma vez por semana e é realizada pela prefeitura. O ideal seria que essa limpeza ocorresse três vezes por semana. Além disso, nas delegacias existem seis pessoas trabalhando no mesmo ambiente com ar-condicionado, o que possibilita a infecção, já que os estudos científicos alertam que nos espaços abertos e ventilados a probabilidade de contaminação é menor”, explica.

Ainda assim, o policial se mostra otimista com o inicio da vacinação dos profissionais da segurança pública. Segundo o agente, 25% dos policiais de sua equipe foram vacinados. Ele aguarda a segunda dose.

SSPDS AFIRMA QUE FORNECEU 200 MIL MÁSCARAS E 20 MIL LITROS DE ÁLCOOL AOS POLICIAIS E RESSALTA ATENDIMENTO ONLINE DURANTE A PANDEMIA

Em nota enviada ao Blog, a SSPDS afirmou que pôs em prática um plano voltado para a integridade física dos profissionais da segurança pública além de manter os serviços essenciais em todo o Estado. “O atendimento presencial nas delegacias de Polícia Civil foi modificado e redirecionado para a Delegacia Eletrônica (Deletron), cujas ocorrências de determinados fatos são feitas preferencialmente de forma online, visando à diminuição de pessoas nas delegacias em busca de atendimento. Há ainda o redimensionamento no efetivo das delegacias para mantê-las funcionando nos serviços essenciais sem concentração de muitos servidores ao mesmo tempo nos espaços físicos das delegacias e departamentos” destaca.

Sobre os equipamentos utilizados pelos agentes, a SSPDS informa que viabilizou a aquisição de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para todos os profissionais que precisam desempenhar suas atividades durante a pandemia: “Ao todo, já foram entregues mais de 200 mil máscaras, mais de 20 mil litros de álcool em gel, 1.500 litros de álcool líquido e mais de 12 mil escudos de proteção facial, entre outros materiais, como água sanitária, luvas, borrifadores e papéis toalhas adquiridos pela SSPDS e suas vinculadas, bem como oriundos de doações de instituições parceiras”.

Prossegue o órgão: “Além disso, a Assessoria de Assistência Biopsicossocial (Abips) da SSPDS realiza testes em todos os profissionais da pasta e de suas vinculadas, visando maior segurança na retomada gradual das atividades. Policiais civis e militares são imediatamente afastados de suas atividades após testarem positivo ou apresentarem suspeita de estarem com a Covid-19. É importante ressaltar que ao apresentar sintomas gripais, o profissional já é afastado preventivamente”.

Crédito da imagem: Davi Pinheiro/Governo do Ceará

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