Mortes de brancos caem enquanto a de negros aumentam, é por isso que Fortaleza nunca mais se apavorou

Conforme o Atlas da Violência, do Ipea, os assassinatos de negros aumentaram 11,5% em dez anos enquanto os homicídios de não negros caíram 12,9% no mesmo período. Há seis anos, uma mão espalmada vermelha de sangue era um símbolo onipresente nas ruas e nas redes sociais. Tratava-se do movimento “Fortaleza Apavorada”, que tinha como objetivo cobrar uma ação mais efetiva do Estado na área da segurança pública.
Passado todo esse tempo, a violência ainda persiste, mas Fortaleza não se apavora mais. O que aconteceu? A pesquisa do Ipea oferece pistas importantes. O “Fortaleza Apavorada” era um movimento típico de classe média, cujo foco residia mais na defesa de seus próprios interesses.
A pauta do “Fortaleza Apavorada” restringia-se a uma faixa territorial e de renda muito específicas. Com ajustes no policiamento, a quantidade de furtos, assaltos e arrastões caiu, diminuindo a sensação de insegurança vivida por moradores das áreas mais ricas e urbanizadas.
A periferia, por sua vez,só pôde sentir-se relativamente segura no período da “paz” entre as facções. O relato de muitas pessoas era o de que pela primeira vez podiam transitar livremente de um local a outro sem se sentirem ameaçadas.
Como afirma o sociólogo Zygmunt Bauman, em uma economia de viés neoliberal, “os governos detêm pouco mais que o papel de distritos policiais superdimensionados”. Não é preciso muita imaginação para saber quais distritos importam mais.

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